Terça-feira, Novembro 03, 2009

O objecto e o seu contexto

Uma peruca é um objecto que nos reporta, geralmente, para situações agradáveis ou engraçadas.

Poderia, dada a época do ano, imaginar um disfarce de Halloween, ou poderia pensar numa loira que quis ser morena por uma noite...

No entanto, a peruca para que olhei, suja e ali abandonada no chão, à primeira vista apenas me despertou alguma sensação de repulsa.

O contexto, por vezes, é mais significativo do que o objecto.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Estar morto

Lili Caneças disse em tempos uma frase que ficou célebre: "Estar morto é o contrário de estar vivo".

Será mesmo assim? O sujeito de que fala esta notícia do CM não estava vivo e, apesar disso, também não estava bem morto.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

As piadas de Maitê Proença sobre Portugal

Acerca das piadas de Maitê Proença sobre Portugal, que há a dizer? Sinceramente, apenas que não têm piada.

Aqueles últimos momentos do vídeo com a tal cuspidela, então, são confrangedores!!! Se ela tivesse posto uma pinga de água na boca para imitar uma fonte, ainda passava, embora fosse uma chalaça de gosto duvidoso. Agora, cuspir para dentro de uma fonte no pátio interior do Mosteiro dos Jerónimos... francamente!

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Maddie: Mais um "avistamento"

Conforme notícia do CM, em referência ao jornal The Sun, detectives "descobriram" a Maddie, numa foto tirada numa exposição de automóveis, na Suécia.

Pessoalmente, acho que Maddie morreu e está em Portugal. Um dos locais mais prováveis foi deixado de lado. já falei sobre isso aqui.

É uma pena que se tenham feito tantas buscas (até um crematório de animas em Monchique investigado) mas nunca se tenha falado de qualquer intervenção de mergulhadores.

Tenho sérias dúvidas que a PJ tenha pedido a colaboração da Unidade Especial de Operações Subaquáticas da GNR (UEOS-GNR) quando o Gonçalo Amaral não foi capaz de me dizer se isso tinha ou não sido feito.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Guggenheim - Design It: Shelter Competition

Amigos, toca a votar no Projecto CBS - Cork Block Shelter
By David Mares
From: Setúbal, Portugal
Shelter location: Portugal

Terça-feira, Setembro 29, 2009

A cadeira de rodas abandonada II

Ismael Silva olhava para a cadeira de rodas, ainda incrédulo com o que se tinha passado.

Ismael, professor do secundário, sentia-se desmotivado pelo que a chamada reforma do ensino lhe havia feito: apesar da sua dedicação e empenho, apesar de ter conseguido puxar por alunos considerados perdidos, apesar de tudo, enfim, durante os próximos 10 anos, o melhor que podia esperar era ter um aumentozito aqui e ali que acompanhasse a inflação.

Algarvio de gema, filho único de pai pescador, que se tinha sacrificado para que o filho "pudesse ter uma vida melhor", e talvez levado pela sua costela árabe, decidira partir para a guerra.

Após ter descoberto onde votava Sócrates, a quem considerava como responsável pela sua desdita, tinha decidido fazer-se passar por inválido e ir até à assembleia de voto, sentado numa cadeira-de-rodas armadilhada com explosivos.

O plano era simples e consistia em alcançar Sócrates, com o pretexto de o cumprimentar, e nessa altura fazer a cadeira explodir.

Tudo correu como previsto: a segurança afastou-se, a pedido de Sócrates, que vendo uma oportunidade para uma boa foto, não se fez rogado.

Infelizmente para Ismael, o detonador não funcionou e quando se deu conta, estava a apertar a mão a Sócrates e a fazer um sorriso amarelo para a câmera.

Agora, olhava para o engenho e para aquela maldita etiqueta a dizer Made in China e praguejava: "Raios partam mais esta merda!... Nunca mais m'hádes apanhar na loja do chinês!!!"

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

A cadeira de rodas abandonada

27 de Setembro. Tinha estado a ver a "grande noite das eleições" até onde a pachorra aguentou. Deitei-me, cansado mas sem sono, e levantei-me pouco depois para beber um copo de água.

Passava pouco da meia noite quando fui à janela e deparei com uma cadeira de rodas no passeio. Uma cadeira de rodas sem ninguém sentado nela. Olhei para um e outro lado da rua e não havia ninguém à vista, nem sequer um carro a passar.

Achei estranho e senti-me um pouco incomodado, nem sei bem porquê. Talvez fosse para me livrar desse incómodo, dei por mim a tentar arranjar uma explicação para aquela cadeira de rodas sem passageiro.

Uma explicação prosaica, e talvez a mais provável, já que a cadeira estava perto da escola, onde tinham decorrido as eleições, seria a de que alguém tivesse levado um idoso a votar e, de seguida, após auxiliá-lo a entrar no carro ter-se-ia esquecido de colocar a cadeira no interior.

Mas teria mesmo sido assim? A cadeira continuava lá em baixo, imóvel, e eu ainda com pouco sono.

Imaginei então alguém, um idoso, já com algumas dificuldades de locomoção e com o coração fraco, mas que tinha teimado com o neto que iria votar, nem que fosse a última coisa que fazia na vida, desesperado com a possibilidade do Sócrates continuar a governar o país. Antes ainda de votar, tinha sucumbido a um ataque cardíaco.

Quase me pareceu ouvi-lo ainda a vociferar "... vamos correr com esse bandiiido!!!" e a apagar-se. Na confusão gerada pela chegada da ambulância, a cadeira tinha ficado para trás.

E a cadeira lá em baixo. E ninguém na rua. Quanto mais pensava nisto e olhava para cadeira vazia, mais provável me parecia esta explicação.